Manifesto Inclusivo

Com mais de 10 anos de experiência na área de educação musical inclusiva, percebo que, apesar da existência de Leis, Resoluções, Estatutos e Decretos, garantindo “…educação para todos”, “…direito das pessoas com e sem deficiência estudarem juntas” e “…direito à igualdade…”, na prática, isso não ocorre de forma que se entenda como adequada.

Primeiramente, por que vivemos num país demograficamente enorme e com extrema desigualdade social enraizada historicamente. Segundo, porque as discussões sobre inclusão são recentes: com inicio em 1981, no “Ano Internacional da Pessoa com Deficiência”, onde surgiram as reflexões sobre o assunto e por consequência, as primeiras iniciativas Legais que beneficiavam essa parcela da população. Isto é, discute-se sobre inclusão a cerca de 30 anos, o que, apesar de parecer muito, em termos de desenvolvimento social, é nada. Terceiro, porque vivemos numa sociedade consumista onde o que importa é ter dinheiro, títulos, status, contatos, beleza, etc e isso faz com que pessoas que não conseguem, não podem ou não querem participar desse tipo de “ditadura velada”, sejam deixadas de lado na disputa, se é que deveria haver uma disputa.

Além de todas essas questões, temos a representação social da deficiência, que ainda não deixou de ser assistencialista, totalmente banhada a pena e rejeição, afinal, nenhuma família sonha em ter um filho “doente e incapaz”, nenhum professor quer ter um aluno “que não aprende”, nenhuma criança quer ter um amiguinho que “não consegue brincar como ele”.  Mas, as pessoas se esquecem que a relação deficiência x eficiência; realização x incapacidade é uma mera convenção social e por isso, relativa e muitas vezes pode ser considerada subjetiva. Mudando o modo de olhar, mudamos a relação com o objeto e o que poderia ser visto como deficiência ou incapacidade, pode começar a ser encarado como desafio e possibilidade de aprender com o inesperado e novo ou como um campo rico de experimentações onde todos só tem a ganhar com a diversidade.

Se a educação fosse encarada como processo, se o que importasse de verdade fosse aprender e não necessariamente: tirar nota, passar no vestibular, tocar o repertório X ou Y ou decorar conteúdos mortos, não haveria necessidade de se lutar pela inclusão, pois todos seriam respeitados dentro de suas possibilidades e tempo de aprendizagem.

Por isso, estamos inaugurando essa nova proposta educativa, onde o objetivo é vivenciar, aprender, experimentar, conviver, desenvolver, sem necessariamente “ter que chegar aqui ou ali” ou ter que “aprender tal coisa até tal dia para ser classificado dentro de uma nota específica”. Isso não significa não oferecer conteúdo específico ou não se preocupar com a qualidade de realização, antes, significa saber direcionar o que é mais importante naquele momento diante do grupo que se tem.

Pretendemos sim, oferecer um ensino artístico de qualidade que dialogue com a vida dos alunos, sejam eles com ou sem deficiência.  Uma educação que leve em consideração a realidade cultural e pessoal de cada um, que caminhe junto com as possibilidades das pessoas e que colabore no desenvolvimento global e escolar dos indivíduos, sem perder de vista o conteúdo e a busca pela qualidade artística.

Sim, isso é possível !!!! depende somente de uma equipe inteirada, que estude, troque, queira fazer acontecer. Depende de materiais diversificados e pessoas especializadas na área pedagógica, artística, tecnológica e inclusiva. Adivinhem:  isso nós temos!!!!!

Que a arte seja para todos e aprender seja prazeroso e não obrigação! Que a convivência com  a diversidade seja o caminho para uma vida mais feliz. Esses são os lemas de nossa proposta.

Sejam todos bem vindos !!!

 

Viviane Louro

Supervisora de Inclusão

Espaço Pedagógico de Artes (EPA)

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